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sentas-te num banco, abres o invólucro de plástico que protege o pacote das pastilhas, num gesto repetido vezes sem conta.

Procuras pela patilha dourada que te leva ao fio perdido que dá a volta ao pacote e te permite tirar as pastilhas. Envergonhado vais rodando o pacote, tantas vezes que já fizestes isto, mas parecem sempre mudar de sitio, vais rodando até encontrares o que queres.

O sentimento de sucesso só é suplantado pela satisfação de puxares a patilha e veres o fio cortar o plástico em toda a volta. Olhas em volta para meteres o plástico no lixo, e não encontras o caixote. Sorris e metes no bolso.

Abres o pacote e metes a pastilha à boca onde sentes a onda de sabor enquanto mascas devagar e sentes o sabor a crescer cada vez mais. Encostas-te para trás e finalmente observas em teu redor. O banco de jardim é na verdade num centro comercial. Por momento parece que não há covid. As pessoas enchem os centros comerciais enquanto esperam a sua entrada nas lojas.

Sorris porque pensas que são as mesmas pessoas que há seis meses panicavam por papel higiénico e agora estão de máscara em filas sem distanciamento social e tudo para terem uma roupa bonita para irem aos funerais, como convidado ou como festeiro.

A vida tem de continuar dizem.

Até eu fui apanhado, não mais tempo do que o necessário nestes saldos manhosos, temos de refletir que mundo queremos para os nossos filhos quando arriscamos uma infeção em troca de roupas mais baratas.

O que te devolve o espelho quando te confrontas com a verdade, o que dizem os teus olhos no reflexo? Talvez um silêncio constrangedor ou talvez um sorriso que afaga o ego.

Quem és tu neste novo mundo??

O Gervásio demorou exatamente uma hora e doze minutos a aprender a separar as embalagens usadas. E você, de quanto tempo mais é que precisa?”.

 

Esta frase é  familiar?

A verdade é que em 2000, um chimpazé chamado Gervásio invadiu os nossos canais de tv. Explicando às pessoas que se um macaco consegue, elas também podem conseguir reciclar.

Hoje precisavamos do Gervásio, como o heroi escondido que nos pode salvar desta recusa pela verdade dolorosa que é vivermos confinados e com mascára. Depois de tanta gente morrer e tanta vida impactada, ainda vivenciamos a estupidez humana.

Um chimpazé iria demorar bem menos a usar uma máscara.

Mas vivemos num mundo de factos fáceis de aceitar, pena que estes factos  não sejam verdades, mas as pessoas escolhem no que querem acreditar. 

A sociedade mostra que o conhecimento não trás sabedoria... a sabedoria é perceber que o conhecimento não se reflete apenas no que quero acreditar, mas sim naquilo que é provado cientificamente e com factos, quantificado. Pois foi isso que nos fez e faz evoluir e não nas tretas de quem não tem nada a provar ou a dizer.

O Gervásio está uns furos acima da evolução humana... Se não consegues pensar por ti, faz como o Gervásio faria. Usa máscara por ti e pelos outros.

 

Boas Festas e bem vindos à minha auto-prenda de natal. Um Blog

 

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